Jornal 3 Arquitetos


Jornal informativo do Escritório de Arquitetura de
Éolo Maia, Jô Vasconcellos e Sylvio Emrich de Podestá


Equipe Editorial: 3 Arquitetos
Ghostwriter: Carlos Alenquer
Modern Society: Oni E. Maier
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JORNAL 3 ARQUITETOS
por Sylvio de Podestá

Com o fim da Revista Pampulha ficamos desamparados. O vírus do papel impresso se alastrava causando desconforto ao escritório dos 3A. 3A? Sim, no início da década de 80 lançamos um pequeno livro (logo estará disponível no site) chamado 3 Arquitetos. Quadradinho, capa branca, P&B e com um pequeno caderno no final, à cores (forma de baratear, na época, as publicações). Este livrinho registrava o início da parceria entre Éolo Maia, Maria Josefina Vasconcellos (Jô Vasconcellos) e eu - 3Arquitetos era como nome fantasia do grupo.
Já nesta época diziam ser uma cópia do livro branco dos Five Architects, mas isto conto depois. Para saciar o tal vírus resolvemos lançar um informativo do escritório que pretendia dizer sobre todos os acontecimentos ligados às nossas atividades, inclusive extras. No primeiro editorial alertávamos para a necessidade ampla de divulgação de trabalhos de arquitetura visando o reconhecimento da sociedade num momento de transição histórica, ampliando o debate para que os arquitetos se aprimorem e corrijam seus erros, dentre outras coisas que podem ser lidas na página 02 do número 0.


Um dado, que considero importante, é a afirmação que encerra o editorial e que diz: “Divulgaremos nossas experiências e erros (grifo meu), e esperamos dar motivos para que outros, de outras cidades, de outras regiões, se manifestem, enriquecendo o diálogo destas novas arquiteturas destes Brasis”. Este tipo de postura, ou seja, mostrar o que fazemos, sem a natural seleção de projetos (só os que merecem, diriam alguns!), mas apresentando-os cronologicamente e com todas suas características, sempre norteou nossas publicações.
Como sempre, publicar significa custos e este projeto se inicia após consultarmos nossos amigos empresários, projetistas e fornecedores se topariam participar desta iniciativa com um custo mínimo em troca de um pequeno anúncio institucional. Acertada esta parte, os demais custos ficariam por conta do escritório, ou seja, o que faltar para a impressão, remessa e ainda, toda a parte de textos, montagem (lembrar que o computador ainda era um objeto de alcance impensável) em fotocomposição, fotografias e desenhos eram feitas por nós.
Na época tínhamos uma secretária, herança do antigo escritório do Éolo, Maria, que cuidava da datilografia dos textos em um papel (pauta) que permitia o cálculo de espaço a partir do tamanho da coluna e da letra escolhida. Ela conhecia um jornalista responsável que oficializou nosso jornal frente aos órgãos setoriais. Alguns desenhos foram feitos por estagiários da época, hoje andando por caminhos diversos e pernas próprias como Tarcísio Cardoso que foi se “encontrar” no frio canadense; Neusa, Lulu, Isabella e Bia, nossa ala feminina (ver foto na capa do número 0).
A estrutura era simples e direta: capa e página interna com notícias gerais; segunda página, Editorial; miolo, Projetos e Obras; Publicidade e, a partir do segundo número, uma coluna social e cartas. Contracapa sempre com alguma mensagem, herança da Revista Pampulha.

 

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Número 0, maio/junho de 1988: A capa apresentava em destaque a visita aos escritórios dos argentinos arquitetos, Jorge Glusberg e Clorindo Testos, além do crítico Tomaz Dagnino. Glusberg vinha com intuito de descolar do então ministro governador de DF, José Aparecido de Oliveira, a vinda de uma exposição “Cidade e Utopia” e também da organização de um prêmio internacional “Oscar Niemeyer” a ser atribuído a arquitetos que se destacassem conforme as normas a serem propostas. Não sei no que deu. Destacamos também o retorno das obras da “Rainha da Sucata”, um edifício que havíamos projetado para a Praça da Liberdade, em Belo Horizonte. Alguns projetos apresentados como portifólio do grupo, publicidade e o projeto para “Uma casa Atelier para Le Corbusier na América Latina” promovido pela revista ARS do Chile onde fomos selecionados para a exposição junto com Purini, Goldemberg, Mahfuz, Fuksas entre outros (ver com mais detalhes no livro CASAS, disponível neste site). Com tiragem de mil exemplares e distribuído gratuitamente, o jornal, mantendo a tradição também da Revista Pampulha, chegava ao público através de um lançamento etílico cultural (no caso na antiga Cervejaria Brasil) e dali, seguia para o mundo via Correio ou mano a mano.

 

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Número 1, julho/agosto de 1988: o sucesso do primeiro número se reflete na nova coluna CARTAS com aplausos e reclamações como a do nosso advogado de direito autoral, Hildebrando Pontes, que sugeria escrevermos debaixo do nome 3Arquitetos a frase: “O jornal mais narcisista do Brasil”. Entre os que aplaudiam a iniciativa dos colegas de BH, Pelotas, São Paulo, Rio, Porto Alegre, Vitória, Rio Verde, Ouro Preto. Preparamos, para eventuais ausências de comentários, um arquiteto fantasma que assinava Herly William e morava em Belo Horizonte, bairro das Mangabeiras, que estava sempre a postos para nos elogiar com cartas que terminavam com frases como “Acredito em vocês”. Era ótimo ver não simpatizantes, em seus lidos ocultos, se depararem com tanto obaoba. Iniciamos também uma simpática parceria com os “lixos” do artista Mário Vale que, como pequenos selos, começam a aparecer entre as matérias. Também matérias com artistas convidados e no caso o artista Benjamim com suas Torres e Projetos Inviáveis. Dizia em uma das suas falas: "DUCHAMP NÃO SERIA MARCA DE PNEU?" Na ficha editorial surge nosso eterno ghostwrither Carlos Alenquer e como cronista social que noticiava as festas de lançamento, o Oni E. Maier. Rapaz educado e criativo comentava as festas sob a piaçava da cervejaria Brasil. A capa, ilustrando textos respostas a Veja, Estado de Minas e Folha de São Paulo, a Casa Arquiepiscopal de Mariana. Respostas duras a jornalistas mal informados que diziam sobre o “estilo duvidoso da casa” ou que ela era a prova de terremotos. Falar de arquitetura sempre foi difícil e para jornalistas que não diferenciam uma maquete de um desenho, pior ainda. No editorial, nossos comentários sobre arquitetura dirigidos aos colegas franceses por ocasião da nossa participação na Exposição – Arquitetos Brasileiros no Institut Français d´Architecture – IFA, Paris. Metidamente em três idiomas. Neste número a contracapa era uma mensagem ou ajuda aos milhares de brasileiros em debandada para Portugal e suas dificuldades para conseguir grana para a viagem. Apresentávamos um projeto completo de uma nau, no caso de Colombo na falta de projetos cabralinos, como ajuda à travessia. O título dizia: LA NAVE VA. A NAU VOLTA. Projetos de edifícios para o mercado imobiliário, sob nosso ponto de vista, completava a edição.

 

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Número 2, setembro/outubro de 1988: Para responder perguntas sobre um jornal informativo de um escritório de arquitetura, neste número o editorial tinha como título ARQUITETURA E MARKETING (ou mineiro trabalha em silêncio). Mais uma vez, convocávamos os arquitetos a se apresentarem a nova sociedade que estava surgindo com a democracia; dizíamos de outros grupos (estrangeiros), como atuavam, que tipo de material utilizavam, a força das revistas e como consolidavam suas carteiras de clientes, etc. e etc. (este texto pode ser visto na página 02). Abaixo, nossas fotos e algumas de nossas publicações, ainda em pequeno número. Projetos de alguns concursos e lá estava o Oni E. Maier com sua coluna contando da festa de lançamento do número 01 e dizia: “Mais badalada que a vitória de Airton Senna em Suzuka, a festa...”. Vejam na página 08. A contracapa trazia fotos de vários amigos que freqüentavam as festas da cervejaria, todos com largos sorrisos, exceto Jorginho Askar e Joel Campolina por razões desconhecidas. Desejar um bom ano novo e sugerir caminharmos junto para o 3º. Milênio era o que dizia o texto desta página e olha que estávamos ainda em 88. Não publicamos nenhum outro número do 3Arquitetos. O Natal de 88 foi o último desta parceria que se dissolveu a partir de discussões internas e assim encerramos não só o Jornal 3A, mas também o escritório. Mas isto é outra história. Aqui o que interessa é este informativo que fizemos prazerosamente durante um semestre.
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