capas das revistas pampulhas

PAMPULHA 13 - Memória


Pampulha 13 foi produzida pela equipe da Vectore Pesquisa social, a partir de levantamento feito nos acervos da revista Pampulha e de entrevistas com alguns de seus editores.

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Livre, irônica, brasileira. Estas teriam sido as principais características da revista Pampulha que representou, no final da década de 70, o restabelecimento das comunicações após se esvanecerem os brumais de um período nefasto para a cultura, a política e a participação social na vida brasileira.


Seus editores, acreditando que Belo Horizonte era um "caldeirão cultural" transformador das culturas regionais mineiras, decidiram participar do movimento crítico que marcou os anos oitenta no Brasil.


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Com pouquíssimos recursos, mas contando com gente de muita informação e vinda de todas as áreas - poetas, arquitetos, fotógrafos, cozinheiros, chatos, etc. - a revista foi uma verdadeira escola de como publicar e ser publicado.

Sem nunca ter tido sequer uma máquina de escrever e com o primeiro datilógrafo que era economista da Mendes Júnior, chegou a ter 2.500 assinantes no Brasil e leitores no exterior.

A revista Pampulha está ligada a tudo que diz respeito à paisagem urbana e à qualidade de vida artística e cultural em Minas. Sendo ainda hoje necessária e atual. Em seus doze números, contou com cerca de trinta pessoas na equipe editorial e de colaboradores. Teve ainda o aval do IAB-MG (Instituto dos Arquitetos do Brasil) que também tinha espaço de publicação na revista.

Profissionais e estudantes enviavam correspondência dos mais variados locais, agradecendo principalmente por tirá-los da solidão profissional e colocá-los diante do que vinha sendo feito de mais arrojado no país.

Dentre as seções da revista merece destaque aquela reservada à crítica de projetos. Causou discussões que demonstraram a pouca disposição dos arquitetos em receber comentários públicos sobre os seus trabalhos.

Pampulha encarou de frente temas de grande significação para Minas, como a construção do Aeroporto de Confins, o surgimento dos shopping centers, a restauração do palacete Dantas, o Caraça, arte popular, direito autoral, grupos artísticos, etc.

Seu marco inesquecível, que veio de um atrevimento muito mineiro, foi uma linha editorial que preferia reservar-se o direito de "cara de pau" naquilo que julgava ser pouco solidário com Belo Horizonte. Divulgou uma arquitetura que era iniciante, porém de qualidade; denunciou a destruição a que foi submetida à cidade durante o milagre brasileiro na década de 70, mostrando uma séria preocupação com o patrimônio histórico e cultural.

Resgatar a história da cidade nas páginas da revista foi uma idéia que pretendeu levar seus moradores a prestar atenção ao seu espaço, suas ruas, seu direito à memória de uma paisagem coletiva. Quis ainda despertar, no belorizontino, uma parceria com a cidade e particularmente nos arquitetos, para que trabalhassem em cooperação com a sociedade.

Para quem pensava que a atenção ao patrimônio e à ecologia seriam uma "viagem pós-hippie", a resposta da revista foi abrir suas páginas para a discussão constante destes temas, a fim de despertar o senso crítico de seus leitores sem qualquer "sisudez psiquiátrica".

Com relação ao design o processo foi semelhante. Entre os mineiros não havia a preocupação com o caráter público do design e seu papel nas atividades diárias.

A primeira metade da década de 80 foi um período de grandes mudanças na arquitetura mundial. A revista Pampulha foi, no entanto, a pioneira em falar de pós-modernidade no Brasil, usando uma linguagem que tornou a discussão e a crítica da arquitetura acessíveis a todos. Esta liberdade lingüística, livre do "arquitetês" comum a outras publicações, atingiu um público de não arquitetos e estabeleceu um contraponto com Rio e São Paulo, devolvendo àqueles centros as informações que vinham de lá.

A intensa demanda cultural em Belo Horizonte mereceu a atenção e o destaque da revista, o que obrigava seus editores a lidarem freqüentemente com a falta de espaço, usando a fatídica tesoura - não como censura, evidentemente, mas como única solução para divulgar mais assuntos, mesmo que às custas da redução do texto. Em alguns casos, ocorria o engavetamento de matérias que, embora importantes, permaneceram inéditas.

Uakti, grupo Corpo e Marcos Coelho Benjamim, só para citar alguns cuja arte é reconhecida internacionalmente, passaram pelas páginas da Pampulha.

 

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Morar (viver?) Bem.

Morar bem não é nada mais do que uma das premissas para Viver bem. 

Em 2003 escrevi como morar bem é poder desfrutar do urbano em um ambiente calmo (releia AQUI). Há 37 anos atrás, em1966, meu avô já dizia que "uma vida bem vivida não implica em termos castelos, palácios confortáveis léguas de terras, títulos de dívida pública, ricos,  confortáveis e luxuosos automóveis, aviões, helicópteros, altas posições políticas e sociais, porém uma vida tranquila de viver bem."

Heranças de família.

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