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Vão Livre I - Página 9

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Revista Vão Livre No.0 - Vão Livre I

 

 

SYLVIO DE VASCONCELLOS, O PROFESSOR

Arquiteto Ronaldo Masotti Gontijo



Corria a década de 50, já em sua metade final, e não é exagero afirmar-se que todo o corpo discerne da Escola de Arquitetura, incluídos os estóicos alunos do Curso de Urbanismo, se acomodaria com razoável conforto em qualquer das salas de aula hoje destinadas à disciplina de Planejamento. Ainda longe dos benefícios e malefícios advindos com a reforma pós-64, o ensino da arquitetura tinha conotações marcadamente acadêmicas, diretamente vinculados às diretrizes estabelecidas pela Congregação. Boas intenções nunca faltaram a seus membros, sempre homens íntegros, dedicados e profissionais de renome. Mas é inegável que o Hermestismo e o academicismo que então davam a tônica do currículo estavam diretamente ligados à ortodoxia dos mestres que integravam o citado colegiado (fato comum às faculdades de época), em sua maioria engenheiros e bacharéis, entre os quais ainda quase todos os idealizadores e fundadores da Escola. Deve-se reverenciar a memória dos já falecidos: o patrimônio cultural que a Escola hoje representa é fruto básico do idealismo e dos sacrifícios destes antigos mestres.

Nem sempre, infelizmente, as boas intenções são suficientes quando se busca um esforço supremo para renovar. É significativa a referência ao episódio de 56, quando a Congregação formulou e apresentou proposta de reforma do currículo a partir do simples desdobramento de cadeiras de cunhos artístico e técnico, mantendo-se a mesma estrutura então vigente e, pior dos males, estendendo-se a duração do curso para 6 anos. No bojo da proposta, nada que promovesse uma efetiva melhoria da qualidade do ensino, preocupação alguma com o real entrosamento de disciplinas afins, colocações aleatórias frente à  realidade então vigente. A reação dos alunos foi imediata e o amplo debate promovido sustou a tentativa que então brotava. De positivo, o episódio deixou como saldo o atendimento de antiga reivindicação do DA, qual seja, o direito à presença de seu presidente às reuniões de Congregação, embora sem direito a voto.

Nada mais natural, portanto, o despontar de dois professores integrantes da Congregação, ambos arquitetos e então jovens: Sylvio de Vasconcellos e Eduardo Mendes Guimarães Jr.; este, como o primeiro, também precocemente falecido, tão logo assumiu o exercido efetivo da cátedra foi designado para chefiar o Escritório Técnico de Projetos da Cidade Universitária, afastando-se da regência da cadeira. Para os alunos de então, a figura do Prof. Sylvio se revestiu de características especiais: sua condição de catedrático, sua cultura, sua facilidade em dialogar e se expressar, sua pouca idade, seu renome nacional, fizeram-no elemento natural para receber e entender as inquietações formuladas pelo corpo discente e é cerro que os queixumes e reclames da época em nada diferiam em intensidade dos de agora. Sem paternalismo e sem assumir qualquer postura de gênio, sempre tranqüilo e atencioso, o Prof. Sylvio esteve constantemente em colaboração com as iniciativas do DA que objetivavam reformular ou melhorar as condições do ensino, mesmo em horários e períodos extracurriculares. A sua atuação e o seu apoio, num sem número de ocasiões, foram decisivos para a organização e preparação de seminários, promoção de exposições de trabalhos, vinda de conferencistas, enfim, uma constumaz disposição de perseguir tudo aquilo que, direta ou indiretamente, abrisse qualquer luz ao ensino de arquitetura. É bem verdade que, então um bom número de professores assistentes já se engajara nas proposições reformuladoras e, lado a lado com os alunos, procuravam em amplos debates os fundamentos de uma proposta renovadora. A época era de ebulição, alimentada pelo calor trazido por colegas chilenos ao II Congresso Panamericano de Estudantes de Arquitetura, realizado em 56: uma fascinante experiência fora implantada no Chile, transformando-se o curso num imenso atelier, espinha dorsal para onde convergiam as informações de ordem prática, teórica e técnica. Entretanto, o processo de luta por melhores condições de ensino sofreu a curto prazo solução de continuidade, quando todo o corpo discente se uniu para enfrentar aquilo que na ocasião se configurou o maior dos males.

Mas nem tudo foram flores no que diz respeito ao relacionamento do Prof. Sylvio com o corpo discente. Por proposta sua, a Congregaçãoaprovou a criação de um curso de Belas Artes a funcionar na Escola. Não cabe aqui qualquer análise sobre o assunto, nem questionar as razões que levaram o Professor a tal proposição.

 Ressalte-se apenas que, pela primeira vez, alunos e o professoro se situaram em campos opostos. Aos debates e discussões sobre o tema, sucedeu-se greve geral dos alunos, decretada por unanimidade. Embora o comando do movimento buscasse uma colocação eminentemente teórica e embasada em experiências já registradas na história, o assunto foi objeto de tanta polêmica, cobertura pelos jornais e até mesmo emissoras de rádio que, vez por outra, não pôde ser resguardada à figura do prezado mestre. Contornou o impasse o Reitor de então, mediante convênio entre a firmado o acordo, o Prof. Sylvio já havia se dirigido à Congregação propondo a extinção do curso, não pelo fato de não mais acreditar no provável acerto de sua idéia, mas com a finalidade única de acalmar as tensões e fazer voltar a paz à escola. Se no ano seguinte os alunos recorreram novamente à greve geral, aí não mais se questionava o curso de Belas Artes, mas, tão só, lutava-se pelo cumprimento do convênio pacificador. Nesta segunda greve, de radicalismos e desdobramentos incríveis, o corpo discente já não mais combatia as idéias de um professor, de um arquiteto, de um futuro colega. A favor do Professor cabe destacar que findas as hostilidades, o prezado Mestre sepultou o assunto e manteve as suas tranqüilidade e eficiência de sempre e jamais se valeu de sua posição para tentar perseguições ou revanchismos aos alunos que mais se empenharam ao combate às suas idéias.

Da atividade letiva do Professor ficam recordações substanciais. No recinto da sala de aula as suas explanações primavam pela clareza fruto de um processo racional de encadear as idéias com propriedade. Embora dominando com requintes de perfeccionismo a matéria subordinada à sua cátedra, Arquitetura no Brasil, de antemão informava que seus conhecimentos deveriam ser entendidos como pessoais, não devendo, portanto, pretender esgotar o assunto. Para tanto, estimulava com freqüência, à nível de debates, as porventura tímidas dúvidas levantadas pêlos alunos. Há que se entender bem que o curso de então era fechado e cada disciplina se bastava por si própria, encerrada em um livro texto, quando havia, ou mesmo limitada por apostilas e anotações de aula. O grande mérito do Prof. Sylvio foi não se prender aos alfarrábios e esconjurar sempre as apostilas, buscando um enfoque bem amplo para a disciplina a seu cargo: era comum assim, que um assunto tratado em classe fosse objeto de pesquisas e estudos dos mais variados livros e até mesmo revistas, alguns dos quais até mesmo nem específicos de arquitetura. O gosto pela leitura, pela pesquisa e posterior confronto de idéias a negação de dogmas e conceitos duvidosos já enquistados, eram constantemente levantados em classe. A cadeira de Arquitetura no Brasil abria um painel amplo e livre aos a ortodoxia acadêmica ministrada nas demais disciplinas. Não é demais afirmar que o professor, então, conseguia uma atividade letiva de nível realmente universitário. Mais ainda, a arquitetura não era vista como fenômeno isolado: o professor a inseria no global, destacando suas relações dentro do contexto, o que permitia abordagens históricas, sociais e específicas, estas na medida em que outras atividades artísticas e demais ramos do conhecimento se aliaram e se fizeram presentes às correntes mais específicas do pensamento arquitetônico. A dinâmica que o professor conferia à sua cátedra vinha completar suas posições tantas vezes colocadas em palestras e conferências e que diziam respeito às suas preocupações com o mercado de trabalho do arquiteto. Dentro da realidade brasileira da época, entendia ele que o arquiteto poderia limitar-se como profissional, tornar-se mesmo um mero agente da especulação imobiliária ou simples executor de planos governamentais, caso não assumisse uma postura mais analítica e realística: o arquiteto devia estar preparado para questionar decisões, levantar problemas e soluciona-los. Para tanto, o arquiteto, desde cedo, precisava estar apto ao debate, assumindo posições de cunho marcadamente cultural. E este lastro de cultura devia ter suas formulações nascidas no âmbito do curso na própria Escola, aprofundando-se os ensinamentos teóricos e históricos através de uma visão crítica, incentivando-se o livre debate e o confronto de opiniões.

Algo desconfiado e ensimesmado, como todo bom mineiro, apreciava e curtia ao máximo, porém em termos contemporâneos, todo o imenso legado arquitetônico do período colonial. Tanto que hoje a referência ao termo "mineiridade" se liga de modo indissolúvel ao Professor. É de se louvar, também, a sua disposição em assumir sempre que possível, em caráter interino, as vagas porventura surgidas com o impedimento de qualquer professor da disciplina de planejamento arquitetônico.

Mesmo fora de sua especialidade letiva o Professor conseguiu resultados surpreendentes, na medida em que levou o debate e levantou polêmicas diretamente sobre as pranchetas. A seu favor, também, a eterna disposição para representar a Escola nos congressos e seminários estudantis, chefiando ai caravanas organizadas pelo DA.

Guarda-se também dele seu profundo desgosto, uma indescritível decepção, no momento em que a Direção da Escola, em reunião de Congregação, o ameaçou com fichas do DOPS e vitupérios outros. Já bem antes de 64 o macartismo tupiniquim ensaiava seus primeiros e trôpegos passos, muito embora a democracia por então não fosse adjetivada. Teria assim o Professor já intuído uma espécie de premonição, o que viriam a ser os duros e violentos anos vindouros, pós-64 e, principalmente, pós-68, quando o dedurismo e o puxassaquismo se transformaram em virtudes patrióticas?

Bem antes de seu recente falecimento, o sistema conseguiu matá-lo de forma nada sutil, no instante em que tapou-lhe a boca e impediu-o de lecionar. Com isto, perdeu a Escola, perdeu a comunidade mineira, o concurso de uma grande figura humana dotada de rara inteligência. No fundo, resta a tristeza de ver o país degradar seus homens de talento e abrir mão dos mesmos quando se procura a afirmação nacional. As boas idéias sempre sobreviveram aos regimes mais rudes e arbitrários, mesmo que se afaste, degrade e mate homens de pensamento e ação. O legado cultural do Prof. Sylvio permanece indestrutível: seus ensinamentos, seus livros, sua produção intelectual, continuam firmes e serão sempre de grande valia para as futuras gerações.

 

 

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Morar (viver?) Bem.

Morar bem não é nada mais do que uma das premissas para Viver bem. 

Em 2003 escrevi como morar bem é poder desfrutar do urbano em um ambiente calmo (releia AQUI). Há 37 anos atrás, em1966, meu avô já dizia que "uma vida bem vivida não implica em termos castelos, palácios confortáveis léguas de terras, títulos de dívida pública, ricos,  confortáveis e luxuosos automóveis, aviões, helicópteros, altas posições políticas e sociais, porém uma vida tranquila de viver bem."

Heranças de família.

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