Allegro Piano Bar - Ouro Preto.

Sylvio Emrich de Podestá e Marília Lila Dalva Carneiro

Se somos estatistica e realisticamente urbanos desaparece a formatação básica para se inserir um objeto em uma malha urbana canonísticamente falando, ou seja, devassem a terra para que o novo possa se apresentar como o novo. É claro que para alguns consagrados e para alguns lugares oficiais, abrem-se espaços memoriais, em esplanadas oficiais, expobrasil, minas ou pontas de cabo branco, terras planas e altiplanas, lisinhas,para que grandes objetos tenham paz na sua solidão institucional. Outros, mortais, convivem com apertos, bastando ver os brises spadonicos do novo prédio paulista que miram os antigos tijolos makenzianos (citadopelo batido das horas) ou pelo enterramento politicamente providencial do teatro da orquestra que se pretendia menos silencioso, mais arquitetura, menos adega, para citar apenas dois exemplos atuais.

Estas necessárias conversas entre os diversos sujeitos já implantados num conjunto urbano cada vez mais se amplia na sua factibilidade sugerindo também um maior envolvimento de todas as partes que compõe os conselheiros das cidades, sejam eles representantes do povo enquanto eleitores, enquanto cultura, enquanto participativos associados, ongs, etc. Órgãos são criados para nos representarem, ambientais, patrimoniais, auditores de intervenções possíveis em substituição a juizes da chibata ou apolíticos afoitos. Algumas vezes são ouvidos, outras terraplanados.

Quando a cidade tem mais histórias do que outras, mais amplo é o discurso da previsibilidade concedida, do andar para frente com o olhar para o que passa e passou. Temos em Minas cidades assim, muitas, cheias de coisas, de vida, de hojes e de futuros presentes e Ouro Preto é uma delas.
Nela, o Allegro, pequeno objeto a ser construído entre o novo parque urbano e o Grande Hotel, juridicamente ligado a este último, foi ouvido com apertinência devida, oportuna, sob forma de consulta,submetido a apreciação, apreciado e encaminhado com recomendações, mas de forma geral, possível,atual, século XXI que é o que estamos.

Aparentemente recolhido sob um manto verde paraque sobrevivam os velhos e novos telhados, quinta e importante fachada da cidade vista por cima (como todas), se incrusta na íngreme topografia qual cristalou pedra lapidada, em inflexões transparentes deforma a compor espaços de estar, ouvir e ver através de, por dentro, permitindo a troca entre o que está e o que é visto de maneira total. Estrutura afiada, fina, invisível; materiais quentes, pedra, madeira e gente formatam a inserção. Um piano bar para uma cidade que se consagrou com um incrível festival de jazz, dentre outras consagrações, poderá estender este e outros sons pelos dias afora.

Quem conhece Ouro Preto e devem ser todos, sabe que sentar e ver de cima, de lado, lá debaixo é sempre o prazer maior. Sentar o ver o tempo passar pelas janelas ou, agora, pelos vidros do Allegro é dar tempo ao tempo, é acrescentar à experiência turística ou local estímulos proustianos, inconfidentes e confidentes.


Allegro mi.

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