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Concurso Nacional de Projetos

localização: vale do Sol | Nova Lima, MG
arquiteto: Sylvio Emrich de Podestá
colaboração: Mateus Moreira Pontes
área do terreno: 16.700,00 m2

E importa também ao arquiteto, naqueles sucessivos processos de escolha a que afinal se reduz a elaboração de um projeto, ter sempre presente, como “lembrete”, o seguinte:

arquitetura é coisa para ser exposta à intempérie e a um determinado ambiente;
arquitetura é coisa para ser encarada na medida das idéias e do corpo do homem;
arquitetura é coisa para ser concebida como um todo orgânico e funcional;
arquitetura é coisa para ser pensada estruturalmente;
arquitetura é coisa para ser sentida em termos de espaço e volume;
arquitetura é coisa para ser vivida.

Lúcio Costa



O corpo como platéia  

Como nas artes, a arquitetura é um jogo entre espaços funcionais e imaterialidade, entre vazios e cheios regados a jardins e sombras.
É bem possível resolver os espaços funcionais exigidos para a sede do Grupo Corpo na forma de um escritório racional mas, tal abordagem não se justificaria para um sítio agreste, mas generoso, onde a construção da paisagem privada se faz tão necessária quanto os espaços funcionais e assim foi concebida, destacando-se dois momentos:

Paisagismo térreo exuberante com inclusão de árvores de porte, mudança da topografia plana, vazio de pilotis, sombreando a Praça do corpo.
Vazios e jardins superiores protegidos por brises e pérgulas, possibilitando luzes e sombreamento controlados.

São vazios conceituais que diferenciam e categorizam os espaços, ricos em virtualidade e funcionam como coadjuvantes dos espaços funcionais.   

É no conceito utilizado na sede que se inicia uma leitura linear que vai destes vazios e ausência de matéria fosca, concreta, se fechando em estúdios, depósitos, galerias, cinemas, até o brilho metálico e a transparência do vidro do grande teatro.

Vazios e jardins ? painéis de concreto ? painéis de SAC painéis de aço galvanizado (inox ou alumínio), ou seja, do vazio conceitual ao brilho do espetáculo, numa leitura óbvia e didática que diz da possível ocupação imediata (setor a) e da futura (setor b).

Evitou-se uma leitura linear, racionalidade programática. Propõem-se surpresas, vazios visuais no lugar de visões ortogonais, emolduradas por aberturas seletivas.
Criar matéria e paisagem, fluxos horizontais e verticais recheados de estímulos, não é um caso de “gosto”, simples mudança de cenário; é estréia de peça nova em temporada que se inicia.

arquitetura é coisa para ser vivida.

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