memorial chico xavier

localização: Pedro Leopoldo, MG
arquiteto: Sylvio Emrich de Podestá
colaboração: Eduardo Tagliaferri, Paulo Orlando Greco e Pedro Aragão de Podestá
cálculo estrutural: Misa Engenharia
orçamento: Plante Engenharia Ltda.
instalações: CA Engenharia e Projetos Ltda.
prevenção e combate à incêndios: Segurança Engenharia Ltda.
àrea do terreno: 1.481,50 m2
área descoberta interna (jardins e passarelas): 2.043,00 m2


Memorial Descritivo

Chico: E o senhor acha que estou em condições de aceitar o compromisso?
Emmanuel: Perfeitamente, desde que você procure
respeitar os três pontos básicos para o serviço.
Chico: Qual o primeiro?
Emmanuel: Disciplina.
Chico: Qual o segundo?
Emmanuel: Disciplina.
Chico: Qual o terceiro?
Emmanuel: Disciplina.

Este foi o primeiro contato do médium com o seu guia espiritual, Emmanuel, a quem o Brasil inteiro admira e respeita. Um vasto terreno denominado Capão, junto ao marco existente que relembra este primeiro encontro com Emmanuel, foi o escolhido para erigir o Memorial Chico Xavier.

Nada mais justo e preciso quando nos reportamos à descrição feita pelo Narrador em “Mandato de Amor”, página 30, União Espírita Mineira, BH, 1992:

“Nos fins de 1931, à tardinha, Chico Xavier orava sob uma árvore junto ao açude, pitoresco local na saída de Pedro Leopoldo, quando viu, à pequena distância, uma grande cruz luminosa. Pouco a pouco, dentre os raios que formava, surgiu alguém!...”

Para que pudéssemos projetar um espaço onde de forma sutil estivesse presente a paz, luz, visão privilegiada das águas do rio e do açude e, ainda, trouxesse uma forma de registro dos três pontos básicos sugeridos como forma de capacitação para o serviço social e espiritual que propunha Chico Xavier, ou seja, disciplina.
Desenhamos uma grande praça circular, circundada por uma coberta “verde”, onde fosse possível circular protegido, ter vista das águas, parar, ler e caminhar, local que denominamos Caminho das Letras.



Esta grande forma curva conforma uma Praça interna, também circular e dividida em duas metades,sendo uma plana, delimitada por um caminho linear e onde podem ser proferidas palestras ao ar livre ou outras manifestações possíveis. Tem como elemento principal uma grande torre de onde saim luzes que iluminam o caminho virtual até o marco existente e também o pátio (2ª. Etapa). Simbolicamente, a Luz.

A outra metade, conformada topograficamente pelo terreno, é auditório natural e que tem como palco a continuação da passarela coberta, agora suspensa.
Outra atividade, possível aproveitando a grande parede do auditório, o uso como tela para projeções, ampliando as possibilidades da informação ou da mensagem, a ser transmitida por todas as mídias.

Junto ao acesso principal da Praça, localizamos o Espaço Chico Xavier que, sem ser museu, se presta a expor fotos, livros, textos, objetos que reportem à memória do Chico de forma permanente ou temporária em ocasiões especiais. Com luzes pontuais, o local será levemente revestido por uma suave penumbra, sugerindo paz e reflexão.

Junto a ele, uma Livraria/Biblioteca que tem a dupla função de vender livros e emprestá-los para o público que preferir ler nos espaços do Memorial. A grande quantidade de edições publicadas sobre a experiência de Chico, seu mandato mediúnico, justificam este espaço e sua forma de gestão. Apoios como banheiros e pequenos lanches darão suporte às atividades possíveis no Memorial.


Um espaço multiuso, com pequena plataforma a quiza de palco, fundo transparente e visão para a mata adjacente, é local de encontro, palestras e outras atividades afins. Com capacidade para 200 pessoas (incluindo o mezanino) confortavelmente dispostas, possibilita atividades abertas e descontraídas e também momentos de silêncio e concentração.

O memorial é visto por cima, por quem chega pelo caminho posterior ao rio. Ali poderá ser visto o tratamento que foi dado à cobertura que contorna toda a Praça: ela é verde, como um pequeno jardim suspenso, o que diminui, o contraste com o ambiente existente, além de propiciar uma sombra mais agradável ao Caminho das Letras.
Em paralelo e descendente, um caminho junto ao memorial nos conduz à Praça do Marco, ponto simbólico da vida de Chico Xavier, devidamente registrado por um monumento representando um livro aberto (a restaurar).

Dali, uma futura ponte por sobre as águas do rio e a linha de trem, fará a ligação com o bairro adjacente, caminho mais próximo para quem vem a pé. Essa virá em substituição à ponte existente que cumpre apenas parcialmente essa tarefa.

Esse é o Memorial que dedicamos a Chico Xavier.

Queremos que ele venha representar com dignidade a vida e memória do Chico, por isso, mas não necessariamente de forma figurativa, a disciplina está no círculo como a luz está no céu visto da praça; a vida está no rio, no açude visto do avarandado como a paz está em quem virá visitar este espaço da memória, simples como sempre profetizou Chico mas poderoso em suas formas e funções possíveis.

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