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Concurso para o teatro municipal de londrina

localização: Londrina PA
arquitetos: Sylvio Emrich de Podestá
Humberto Hermeto Pedercini Marinho
Fernando Lara
Pedro Aragão de Podestá

colaboração
Renato Cipriano (acústica)
Plante Engenharia (orçamento)
Segurança Engenharia (incêndio)
Hélio Chumbinho (estrutural)
Pedro Pederneiras (consultor de teatro)

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3 x 2 = 5

O projeto para o Teatro Municipal de Londrina tem como base conceitual a idéia de três atos em duas escalas gerando cinco espacialidades.

3: Os atos se referem às três distintas salas especificadas no programa.

O projeto aqui apresentado levou seriamente em consideração as demandas do programa de necessidades presentes no termo de referência. Entende-se que um teatro desta magnitude não merece menos do que o estado-da-arte em termos de acústica, iluminação e equipamentos. As três salas foram projetadas de forma a tirar o máximo proveito da necessária forma, obtendo-se a melhor disposição possível de palco, platéia e espaços de suporte, além das imprescindíveis acessibilidades e segurança do público.

Talvez fosse importante descrever as três salas de acordo com suas especificações técnicas: número de cadeiras, tamanho de palco, cálculos acústicos e etc.

2: Entretanto, um teatro com tamanha importância para a cidade não deve ser projetado apenas de fora pra dentro ou exclusivamente de acordo com as normas para o perfeito funcionamento das salas. Do entendimento de a toda equipe de arquitetos que participou da elaboração desse, a dimensão simbólica do edifício para a cidade de Londrina e, conseqüentemente, para toda a região oeste do Paraná é de fundamental importância neste projeto. Em resposta ao desafio foi buscado desde o início a expressão formal em duas leituras: perto e longe. De perto a simplicidade da solução cria uma fácil orientação no espaço público dada a disposição das três salas principais de forma clara e direta a partir de uma praça publica comum. De longe a forma das duas salas principais dispostas frente a frente propicia uma legibilidade ainda mais clara, fazendo do complexo um ícone a ser reconhecido por todos que passam pelas imediações e certamente levando a imagem do Teatro de Londrina para além das fronteiras da cidade.

Cabe ressaltar que essa imagem clara foi resultado do refinamento da forma das duas salas principais, num processo de mão dupla entre as necessidades do programa (acústica, visibilidade, suporte, acessibilidade) e as necessidades simbólicas do complexo (legibilidade, referência urbana) sem prejuízo de um ou de mas outro pelo contrário, gerando uma dinâmica em que as duas escalas se complementam e se potencializam.

5: O resultado do cruzamento entre as três salas e as duas escalas gera então cinco espacialidades distintas que organizam a experiência do Teatro de Londrina, a saber:

Um: o complexo é organizado ao redor de uma praça de entrada que se abre para a rua acessível ao público e espaço organizador dos acessos às diversas salas. Essa praça/saguão distribui-se horizontalmente para os foyers e salas dos teatros, café e praça inferior e permite uma primeira interação entre os diversos públicos. Sua ambientação é composta por transparências e vazados, vegetação e possibilidades visuais diversas, podendo interligar os dois foyers, quando abertos, tornando-os espaços únicos.

Dois: a direita da entrada e adjacente á praça encontra-se a sala principal com capacidade para 1200 pessoas. Esta sala maior com sua imponência e sua formalidade se coloca como espaço adequado para grandes produções de curta temporada dados o número de assentos e as dimensões do palco. Soma-se a isto a melhor infra-estrutura de fundo de palco e de equipamentos, uma sala capaz de receber em Londrina montagens de renome internacional.

Três: a esquerda da mesma praça e diametralmente oposta à sala maior encontra-se a sala menor com capacidade para 485 espectadores. Esta sala, cuja forma externa é simétrica (com dimensões um pouco menores) à sala maior, cria com ela o conjunto de linhas mais legível do complexo, destinado a se tornar uma marca na urbanidade de Londrina. Embora similar por fora, a sala menor é bem diversa por dentro com uma disposição de palco e platéia que enfatizam a flexibilidade das montagens. Talvez mais propensa a espetáculos de longa temporada, a sala menor apresenta a mesma excelência de acústica e visibilidade com a vantagem de uma estrutura de fundo de palco mais flexível (aberta, ver espacialidade cinco a seguir) e uma escala mais intimista que a grande sala em frente.

Quatro: talvez o espaço mais importante do complexo no que se refere a formação futura tanto de artistas quanto de público, a sala de uso múltiplo ou black box se insere ao fundo da praça de acesso como lugar da experimentação e da interatividade.  Sua localização foi estrategicamente pensada para atrair a atenção de um público infreqüente que, provavelmente, seria atraído por grandes concertos e posteriormente instigado a explorar outras categorias de espetáculos. Enquanto a
flexibilidade é garantida pela grelha de teto e pelo piso, pelo mezanino a passarela permite também uma total abertura piso/teto pela frente e eventualmente pelo fundo integrando-se ao grande espaço da praça inferior e ao piso levemente rebaixado contíguo ao saguão: “sinto que o palco funcionaria sob a luz do dia” - (Ming Cho Lee).

Cinco: Apesar de não estar listado no programa de necessidades, a arquibancada externa adjacente à sala menor se faz importante na proposta. Mais uma vez tirando proveito da forma externa para explorar a flexibilidade de uso dos equipamentos cênicos, o fundo do palco da sala menor se abre para uma arquibancada externa com capacidade equivalente a sala interna. Tal arquibancada externa permite outro nível de interação com a cidade, o que parece extremamente pertinente aos argumentos do termo de referência, ao abrir um palco bem equipado para o “lado de fora” acentuando a interatividade entre cidade e teatro, artistas e público. Além disso, a presença da arquibancada permite o uso do complexo para toda uma gama de atividades de baixo custo operacional que transforma o complexo do Teatro de Londrina em um espaço ainda mais útil para a cidade. Flexibilidade.

Estruturalmente optou-se por um processo misto, onde concreto pré-moldado ou pré-fabricado, estruturas metálicas, componentes de madeira certificada compõem o mix principal.



Uma base em concreto conforma o estacionamento subterrâneo, porões dos palcos dos dois teatros principais e platéias, evitando vibrações e outras alterações não desejadas.

A partir dessa base, incerts recebem pilares metálicos em perfis estruturais laminados.  Pilares e vigas compõem o esqueleto estrutural das vedações laterais dos grandes volumes dos teatros e, também, dos conjuntos de enrijecimento da estrutura, formados pelo sistema secundário localizado entre vedações externas e internas (no grande Teatro) e pela área de serviços (no pequeno Teatro). A cobertura recebe vigas tipo verendel travadas por diagonais metálicas que se apóiam nos painéis termoacústicos de concreto.

Esses painéis também utilizados nos fechamentos laterais completam o sistema macro de construção dos grandes espaços. Sistemas semelhantes e simplificados são utilizados nas oficinas e outros serviços localizados nas alas junto aos acessos de serviço e docas. O saguão, que conforma a praça inferior, é também metálico na sua estrutura de vigas e pilares e recebe lajes estruturadas e pré-fabricadas, contrapiso e deck de madeira que têm por finalidade primeira - sem evitar seu caráter estético e doméstico - o “esquentamento” do espaço, eminentemente promotor do encontro.

Todo o complexo é aberto e monitorado. Aparentemente paradoxal mas é uma das formas de se evitar fechamentos gradeados e controles policiais. Uma central de segurança preventiva com prováveis seguranças móveis, preparados para responder informativamente sobre as atividades do local, permite acessos para o descanso e outras atividades possíveis, numa continuação efetiva da rua, promovendo sombras e equipamentos públicos necessários, além do famoso pôr do sol de Londrina.
A eliminação do impacto visual do parking frontal semelhante a shopping centers ou mesmo a onerosa construção dos indesejados deck parkings, foi possível com a pulverização destas áreas e sua locação baseado em custos e especificidades projeto nasceu do desenho formalmente emblemático, logomarca procurada, de fácil absorção e tem uma lógica funcional onde praças (superior como saguão e inferior como extensão de ambientes de exposição e passível de atividades diversas) funcionam como distribuidoras de fluxos e permanência enquanto se elabora atividades afins e contemplativas. Nos intervalos, a praça cria sombras ventiladas (controladas no saguão e permanentes na praça abaixo), principal regulador do conforto destas áreas de acumulação de públicos, ante-sala climática, preparatória para o acesso a ambientes condicionados por necessidade de conforto como as salas dos teatros.

A variação de temperatura anual tem no inverno faixas abaixo do conforto térmico, sendo necessário o controle entre ambientes internos e o externo. Em outras épocas, propicia a integração dos ambientes e tem ainda umidade relativa moderada e ventilação ideal para o resfriamento, podendo ser utilizada de forma controlada no interior e induzida na estrutura do(s) prédio(s), cruzando ou interrompendo fluxos.

A cobertura, recebeu cuidado especial com dupla proteção feita pelos painéis termoacústicos de concreto, seguido de um colchão de ar e novamente painéis de concreto formando uma casca protetora que se repete externamente nas empenas laterais  seguidas também de colchão de ar e vedação tipo dry wall, também revestidos com elementos acústicos.

Para os edifícios complementares e de serviço, varandas, brises e vegetação compõem os elementos bloqueadores do sol quando orientados para norte ou oeste.

Estacionamentos receberam vegetação adequada de forma a fazer parte do paisagismo que tem vida própria nos períodos inoperantes, funcionando como parques abertos.

A iluminação artificial, a não ser nos espaços teatrais, levam em conta a contribuição da iluminação natural, com o máximo possível de espaços iluminados naturalmente.
Para definição do nível de ruído de fundo para os diversos ambientes previstos no projeto foi considerado o critério acústico PNC (Prefered Noise Criteria) adequando-o para as diversas atividades previstas.

No sala menor, o critério PNC20 sugere um espaço mais isolado, atendendo às normas internacionais para apresentações de orquestras sinfônicas.

Nos demais espaços, o nível PNC25 irá atender os mais diversos tipos de performances incluindo situações de gravação ao vivo.

Previsão de instalação de painéis pivotantes na sala menor. O tempo de reverberação será ajustado através da movimentação desses painéis em seu eixo
Na sala maior a variação de reverberação será produzida pela movimentação de cortinas nas paredes laterais.

O Black Box deverá ser tratado acusticamente de forma a promover um equilíbrio da resposta de freqüência e tempo (reverberação) adequadas para várias possibilidades eletro-acústicas, utilizando nas paredes laterais painéis de absorção de freqüências médias e altas, combinados com painéis difusores e refletores de som.

Como parte do projeto acústico a ser desenvolvido, o sistema de sonorização de cada espaço deverá ser compatibilizado para aos diversos tipos de eventos ali previstos.

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