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construção: Direcional Engenharia Ltda.
local: Belo Horizonte | MG
cálculo estrutural: Aldeir Pantaleão
jardins: Júnia Lobo
iluminação: Iluminar
área do terreno: 450,00 m2
área construída: 2.380,00 m2
projeto: 1991
obra: 1993/1994
fotos: Daniel Mansur e Sylvio E. De Podestá (2005)

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Ao exigir o uso misto de comércio e residência em alguns zoneamento, a legislação municipal impõe determinadas regras quase inflexíveis na composição deste modelo, que na grande maioria dos casos, tem produzido prédios que nos fazem repensar a validade destes controles.

Jencks, no seu livro “Bizarre Architecture”, Academy Editions, Londres/1979, nomina estes objetos de “bizarre juxtaposition” e apresenta vários exemplos de boas e más soluções, mas sempre fica uma sensação de que uma parte foi feita antes da outra ou que ali trabalharam mais de dois profissionais em momentos e lugares diferentes.

A estruturação deste edifício passou por estas dificuldades: incorporar dois usos distintos, caracterizar suas imagens individuais, suprimir o “bizarro” e dar a construção final personalidade. Este edifício abriga a sede da construtora na sua parte comercial, que o ergueu de forma a traduzir a imagem de contemporaneidade com que ela tentava impor aos seus clientes. Um subsolo semi-enterrado foi necessário em respeito ao lençol freático. Logo acima três níveis, a loja ocupada pela construtora, pilotis e cinco pavimentos com uma unidade residencial por andar, sendo o último, duplex.

Estruturado em concreto armado, na sua leitura externa é possível perceber o domínio da solução estrutural, visível nos pavimentos acima do pilotis com a adoção de balanços, desenhada na medida exata da independência dos volumes. No revestimento da torre principal, reforça-se esta leitura no desenho do assentamento do revestimento e do formato das esquadrias laterais. Esta solução sugere leveza ao conjunto, reforça suas independências mas dá à relação dos dois acoplagem conveniente.

A diferenciação das funções é reforçada pelas formas e pelos revestimentos internos: um, pedra, sugerindo proteção e, o outro, vidro espelhado e em curva, margeado por um jardim, sugerindo transparência. Está localizado em um bairro que passou por mudanças recentes no seu tipo de assentamento, verticalizando-se e sugerindo, a tempo, que se repensem estes novos objetos de forma a estabelecerem, desde já, padrões de excelências para os futuros empreendimentos. Este, um dos primeiros, procura induzir estes conceitos de qualidade necessários, dando a estas inevitáveis substituições tipológicas qualidades acima das existentes.

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