1994: Edifício Premo

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localização: Belo Horizonte, MG
arquiteto: Sylvio Emrich de Podestá
colaboração: Mateus Moreira Pontes
proprietário: Premo Engenharia Ltda.
prevenção e combate à incêndio: Segurança Engenharia Ltda.
área do terreno: 393,00 m2
área: 2.544,42 m2



Este edifício tem valores implícitos, percebidos pela história do lugar, sua rua e seus vizinhos.

O lugar antigamente ocupado por casas geminadas, art decô, era a sede da Premo, para mim a primeira, onde éramos recebidos pelo Renato e, estudantes, conhecermos da pré-fabricação em concreto, roubarmos seu tempo e eventualmente sua biblioteca com revistas nórdicas e outras brasileiras que sempre contaram com o apoio da Premo/Renato: Informador das Construções (que veio no futuro dar apoio a Revista Vão Livre, precursora da Pampulha) e da Arquitetura e Engenharia do saudoso Godoy, uma das mais importantes revistas da arquitetura brasileira no farto período modernista. Que o digam Eduardo Mendes, Rafael Hardy, Sylvio de Vasconcellos e o então menino Fernando Graça, além de vários outros. Nossa AP também recebeu grande apoio enquanto viveu.

A rua da Bahia, cenário boêmio intelectual de Belo Horizonte e ali vizinhos, Academia Mineira de Letras, Associação Mineira de Imprensa e seu famoso Bar da AMI, Igreja de Lourdes dos casamentos da sociedade, o BDMG, marca imponente e registro da arquitetura institucional e declarado contraponto ao neogótico da igreja vizinha. Escola de teatro, grupo escolar e outras peças arquitetônicas datadas do início da construção da cidade, assim é a rua.

Ortogonalmente, Rua dos Timbiras, parte da quadrícula do Projeto inicial de Aarão Reis onde estados se cruzam com tribos e nações indígenas, vizinho de fundos, um edifício residencial projetado por Álvaro Vital Brasil.

As casinhas geminadas apenas lembravam sua origem e sua preservação, feita de modo documental, foi conduzida pelo arquiteto Jorge Askar. Os primeiros estudos sofreram mudanças de forma a não interromper a visão volumétrica do edifício do Álvaro, reduzindo a altura do fundo e curvando a cobertura do 2º. Pavimento. Destas observações resultou a volumetria final.

Garagens no subsolo, dois salões com generoso acesso lateral onde se pretendia localizar a sede da empresa, o pilotis e oito andares compunham a edificação.
Não só estas densas particularidades conduziam o projeto mas também o inidetismos de se construir um edifício totalmente pré-moldado, vertical e com a aplicação de painéis de vedação em concreto, em terreno exíguo, de complicada estratégia construtiva, seja no seu canteiro de obras, na locação de grua ou chegada de componentes.

O mercado inicialmente sugeria uma ocupação comercial que no processo foi repensada como ocupação mista, moradias a partir do 3º. piso. Não foi construído e uma decisão baseada provavelmente na economia da época, basta retrocedermos a estes tempos.
Hoje tem-se uma visão mais clara da sua genealogia ocupacional e pode-se voltar a pensar novamente no seu desenvolvimento.

Publicá-lo significa reforçar a importância deste tipo de projeto e confirmar que, definitivamente, a cidade não é de um só arquiteto. As inserções, sejam elas quais forem, devem ser resultado da leitura de todo o contexto macro e micro onde se localiza, do respeito aos vizinhos e da capacidade do novo objeto de registrar seu tempo em permanente diálogo com seus antecedentes.

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