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Instituto Doctum, Faculdades Integradas de Caratinga

obra: 2005/06
localização: Lagoa do Piau | Caratinga, MG
arquiteto: Sylvio emrich de Podestá
colaboração: Gian Paolo Lorenzetti, Pedro Aragão de Podestá e Marcos Franchini Mascarenhas (estagiário)
proprietário: Instituto Doctum, Faculdades Integradas de Caratinga
construção prédio A: Plante Engenharia Ltda.
estrutura metálica cálculo e montagem: Techneaço Engenharia Ltda.
área do terreno: 16,5 hectares
área do prédio A: 1.575,00 m2



Introdução


Localizado em local de extrema beleza natural, estratégico em relação a região (Vale do Aço e do Rio Doce), o Campus Lagoa do Piau nasce com identidade ecotecnológica, pretendendo o desenvolvimento de novas tecnologias (Ciência da Informação, Engenharia Civil/Sistemas Construtivos, Elétrica e Telecomunicações, etc.), da promoção do desenvolvimento Turístico e preservação do Meio Ambiente da região, por isso nada mais sintomático do que se municiar de um projeto arquitetônico e urbanístico, com etapas de crescimento programadas em função da demanda socioeconômica , que possa oferecer alternativas de acesso a uma abordagem acadêmica que contemple as diversas facetas deste encontro eco e tecnológico.

Dividido em três módulos, o terreno caracteriza de imediato suas possibilídades funcionais.

Uma grande área plana, com vegetação inexpressiva, sugere uma ocupação mais densa. Esta área é cercada por uma exuberante paisagem formada por elevações lindeiras e frontais que conformam um grande e belo lago (ou lagoa), parte do projeto de preservação ambiental do Vale do Rio Doce. É onde implantamos o Campus propriamente dito composto pelo Curso de Ciência da Computação e Ciência da Informação, Engenharia Ambiental e com parcerias para formação do Centro Tecnológico e Pós-Graduação.

Este projeto acadêmico amplia-se na sua oferta inicial com a criação da Universidade Livre do Meio Ambiente, um laboratório de conhecimento e manejo dos diversos tipos de ambiente e com o Centro de Estudos de Promoção Turística que aproveita da implantação no Módulo 3 de um Hotel/Escola e um Centro de Convenções com estrutura para eventos diversos.

Amplia-se também na implantação de um Centro Cultural que promoverá oficinas e mostras artísticas, preservação da memória e cultura regionais e também de um setor de Lazer e Esportes, com atividades ligadas às comunidades vizinhas na promoção de shows, campeonatos e outros.
O Estudo Inicial apresentado, metaforicamente compara estas abordagens e suas funcionalidades inter-relacionadas a um circuito impresso onde as diversas funções setorizadas compõem uma única placa onde elementos como chip, processador, memória, cabos, pilhas, etc. se ajustam para cumprir o programa pretendido.

Malha Infra-estrutural

O Módulo 2, topograficamente plano, é quem recebe (como no circuito impresso) uma malha desenhada com eixos ordenadores onde se localizam todos os componentes (sujos e limpos) da estrutura de funcionamento do complexo.
Pelo solo, esgotos e águas secundárias, não potáveis, retiradas e tratadas da lagoa para suprir demandas como irrigações, lavagens, descargas e outras. Aéreas e localizadas em “canaletas” diferenciadas, as distribuições de infra-estruturas limpas como redes elétricas, água potável, cabos de lógica (fibras óticas), blindadas, compõem esta ossatura de funcionamento.
Esta infra-estrutura se alonga, secundariamente, para abastecer os setores ligados a hospedagem, monitoramentos ambientais e parte do complexo de Lazer e Esporte que tem demanda própria.

Implantação

Estabelecida uma malha infra-estrutural, vias automotivas e de pedestres se organizam sobre estes eixos, criando acessos principais e secundários, descobertos e cobertos, diretamente localizados no solo ou sobre pilotis.

Os pilotis são fundamentais na construção da infra-estrutura como o da adoção de sistemas bioclimáticos para as principais edificações onde a quantidade de pessoas em atividades moderadas e em permanência prolongadas necessitam de conforto ambiental adequado.

Estruturados em perfis de aço que se alongam para compor a estrutura mestra das edificações ou que dão suporte as estruturas em madeira roliça que comporão passarelas, pergolados e ambientes adequados ao seu uso, estes pilotis formam uma espécie de andar de serviço aberto onde o monitoramento, manutenção e ampliação das vias e infovias é feito de forma imediata e com a precisão necessária.

Com esta estratégia projetual consegue-se uma visão clara das possibilidades de ampliações previstas e ainda de antever possíveis outros componentes pedagógicos, lúdicos ou mercadológicos que possam ser acrescidos em tempos futuros.

Edifícios funcionais, culturais, esportivos e de compras, turísticos e emblemáticos encontram nesta estrutura e nos seus alongamentos secundários um “porto seguro”.


O Projeto

As unidades passam a ter então áreas de implantação ligadas às diretrizes funcionais, sejam elas de necessidades físicas (como locomoção entre partes), estruturais (onde podem se concentrar maiores quantidades de equipamentos específicos) e todas outras que de uma forma ou de outra promovam especividades próprias ou conjugadas.

A arquitetura desenha estas unidades procurando responder aos processos construtivos, ambientais e de sustentabilidades possíveis, dando caráter próprio a cada unidade e de acordo com suas características.

O que mostramos nestes primeiros estudos são estas possibilidades diversas de uma demanda que se inicia com um plano que pode sofrer variações sem que a idéia inicial de flexibilidades diversas seja comprometida.

Acrescentamos ainda uma análise sobre a sugestão de um sistema estrutural pré-fabricado, racionalmente projetado, consagrando materiais e custos compatíveis com o empreendimento a nível econômico, de forma a controlar custos e tempos necessários; processos de sistemas bioclimáticos para conforto térmico dos espaços diversos, diminuindo demandas energéticas, revendo paradigmas relacionados com ouso da “força bruta” caracterizada pelo uso indiscriminado de condicionamentos mecânicos e propondo um processo de sustentabilidade baseado na educação, monitoramento e projetuação compatível com uma filosofia ecológica.

Sistemas Estruturais

A adoção de uma construção racional, com componentes pré-fabricados (estrutura, piso, vedações, etc.) sejam de aço, concreto, madeira, gesso ou outros materiais tais como madeira laminada do eucalipto, por exemplo, é o que consideramos na elaboração do estudo inicial justificável, não só pela proximidade com a região que tem vocação siderúrgica, concreteira e madeireira, mas também pela concepção filosófica do projeto que prevê crescimentos baseados em Etapas acadêmicas/estruturais, ou seja, numa demanda crescente de novos espaços dentro das expectativas da instituição e, ainda, pela forma com que o estudo arquitetônico/urbanístico promove o uso de uma sistemática construtiva baseada numa malha logística de infra-estrutura que é parte fundamental na concepção de todo o plano. É desta forma que, também como um sistema onde todas as peças são pré-fabricadas, a arquitetura dos edifícios passa efetivamente a ser parte do processo como um todo.

Estrutura de aço

É portando necessário trabalhar num sistema que tem uma concepção racional para fabricação e montagem industrializada, que utilize a estrutura de aço e os diversos componentes existentes no mercado e de acordo com seu uso, ou seja, painéis de paredes, lajes e estrutura de cobertura, compondo um conjunto conveniente ao empreendimento no que diz respeito às edificações em suas diversas tipologias.

As condições termo-acústicas são garantidas pelo uso correto dos componentes, ventilações e iluminações, promovendo o conforto ambiental adequado às necessidades do projeto como, por exemplo, vedações não estruturais que podem ser alteradas, relocadas ou mesmo subtraídas.

Além disto, a redução do tempo de construção e o aumento da produtividade são fatores determinantes no cumprimento dos cronogramas do empreendimento.

Estruturas de madeira

Material renovável, a madeira permite seu emprego em estruturas pré-fabricadas em condições análogas às do aço. Sua utilização é simples, conhecida e emprega mão-de-obra menos exigente, porém seu emprego exige o uso adequado levando-se em conta as dificuldade inerentes às suas propriedades.

Deverá ser utilizada em forma de troncos. A perecibilidade pode ser resolvida por tratamento adequado.

Podemos destacar algumas das qualidades que a madeira possui como boas características mecânicas devido a sua baixa densidade, condutibilidade térmica pequena, ausência de dilatação térmica, as características mecânicas pouco alteradas em função da temperatura, facilidade de ligação aos outros materiais de construção, leveza do conjunto estrutural, o que significa uma economia das fundações, possibilidade de expansão e desmontagem sem grandes dificuldades, bom desempenho em ambientes úmidos, conforto térmico e acústico, características estéticas etc.

No nosso caso, sua adoção em passarelas pergoladas, coberturas e decks , além dos fatores nominados acima, permite que o resultado visual do projeto, este mix procurado de tecnologia e qualidade arquitetônica das edificações seja enriquecido pelo “esquentamento” próprio do material, humanizando e adequando os prédios ao belíssimo local onde se localiza – Lagoa do Piau.

Também, o futuro curso de graduação em Engenharia Civil com ênfase em Sistemas Construtivos voltado para a utilização e o desenvolvimento de novas tecnologias construtivas, desenvolvimento e utilização arquitetônica de sistemas construtivos, projeto e desenvolvimento de sistemas integrados e modulares, projetos arquitetônico utilizando novos materiais, materiais alternativos, projetos de equipamentos urbanos e ambientais tem no Campus futuro seu melhor show room e campo de pesquisa.


Clima
O projeto previu estudos detalhados para aplicar o máximo de soluções bioclimáticas nas construções futuras, procurando amenizar grandemente o uso da “força bruta”, ou seja, o uso de equipamentos mecanizados (ar condicionado, por exemplo) nos ambientes de trabalho, sem perda da qualidade do conforto ambiental.

Soluções como troca de calor induzido por áreas negativas e positivas ou mesmo com equipamentos de pequeno e médio porte podem trazer benefícios qualitativos e econômicos.

Sugerimos o uso de edificações sob pilotis (1,50m do solo) criando um andar de serviços abertos, por onde passarão todas as redes da infraestrutura necessária, além de permitir ventilação por todos os lados das edificações (inclusive, agora, por baixo) de forma a “lavar” todas suas fachadas, contribuindo para o menor aquecimento das mesmas e conseqüente menor transferência de calor para o interior.

Passarelas de acesso de pedestres, também sobre pilotis, com teto em madeira (eucalipto tratado) permitindo total ventilação e sombreamento no caminhar.
Por estarem as aberturas principais orientadas para o quadrante Sul/sudoeste com a vista mais agradável e estimulante (paisagem da lagoa), recomendamos a adoção de grandes panos de vidro com aberturas controladas.

Desta forma, a solução final se aproxima do ideal e permite que a arquitetura e a logística do empreendimento estejam totalmente em sintonia.
A Arquitetura e o Urbanismo são fundamentalmente modificadores do meio ambiente. Esta modificação inerente não significa degradação do meio onde pretende se inserir elementos resultantes de suas ações, mas para tanto é necessário o conhecimento de como estas ações devem se conduzir.

Discute-se muito hoje formas de dotar estas transformações do meio ambiente (urbano ou rural) em projetos sustentáveis.

Neste estudo, procuramos dar possibilidades à implantação do Campus PIAU de se aproximar o máximo possível de uma sustentabilidade coerente com sua atividade e com destaque a sua infalível transmissão em cadeia dos conceitos que, direta ou indiretamente, são absorvidos pelas comunidades envolvidas.

A característica central da sustentabilidade é sua capacidade de perdurar ao longo do tempo, mantendo padrões de vida adequados. Fatores climáticos e ambientais ligados à vocação econômica de áreas e regiões são condicionados pelos recursos naturais locais e pelas condições climáticas. Turismo e agricultura, por exemplo, são atividades econômicas diretamente dependentes do clima.

Um campus como ecosistema deverá ser diretamente configurado por suas relações com o entorno e com os recursos naturais locais, especialmente a água, a energia e as matérias-primas para materiais de construção e alimentos.

A informação e comunicação num futuro sustentável com padrões ambientais satisfatórios, será essencial para reduzir o transporte supérfluo de cargas e pessoas. Transportar informação é mais limpo e barato. Antenas parabólicas, fax, telefonia celular, internet e outros recursos da tecnologia da informação transformaram as relações cidade-campo e facilitam novas atividades econômicas, especialmente no setor de serviços, que independe de base física e de espaço em grandes aglomerados urbanos. Este fato pode viabilizar a rede de assentamentos auto-sustentável e distribuídas espacialmente de forma distinta da atual.

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