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localização: Condomínio Vila Castelo | Nova Lima, MG
arquiteto: Sylvio Emrich de Podestá
colaboração: Mateus Moreira Pontes
interiores: Cícero Gontijo e Maria luiza A. Rocha de Siqueira
construção: Plante Engenharia Ltda.
área do terreno: 3.000,00 m2
área: 650,00 m2

Ele, um cliente reincidente, um dos proprietários da  empresa Microcity, projeto meu com a colaboração de Benedito Fernando Moreira e ela, grande incentivadora do projeto Microcity, famosa por sua leitoa à pururuca, por saraus e festas, proprietária das pimentas Pimentinha e da clínica Anima, formam um casal com características tais que fizeram com que neste projeto modificasse minha forma de abordagem projetual vistas nas propostas mostradas nas diversas casas até aqui apresentadas.

Meus projetos residenciais quase sempre se apresentam com uma espécie de ”corpo fechado”, totalmente amarrados em uma idéia volumétrica que responde pelos diversas querências dos diversos tipos de proprietários, mas com um resultado que se assemelha a uma escultura, acabado, dentro de uma proposta fechada, com direito a um reducionismo tipo logomarca, que indica seus principais elementos e como se interagem.

Esta residência interrompe este procedimento, é totalmente aberta e de tal forma que vem permitindo variações desde o anteprojeto: modificação da cobertura, acréscimo do solarium do casal, aumento da piscina e área do bar molhado e outros, sem que se perca o que substancialmente dirigiu sua concepção.
Acredito que isto só é possível por ser um projeto aberto como estou nominando. Aberto mas não significando ausência de eixos estruturais, racionalidade quanto ao uso do aço, da madeira, dos pisos, mas aberto porque pode receber acréscimos e modificações não sujeitas a uma volumetria forte e definitiva como são outros tantos.

Identifico a causa desta mudança de raciocínio projetual à própria relação com os proprietários e a diferença de abordagem que cada um dá aos aspectos referenciais que querem conquistar  ora em conjunto, ora individualmente- nesta sua nova residência. Este diferencial é que permitiu o uso casado da estrutura metálica inferior com o elaborado desenho da estrutura de madeira superior, que suporta a cobertura; do uso do vidro laminado, sem esquadrias, transparente e que escancara a paisagem em frente, mas que se recolhe em venezianas no escurecimento dos quartos na parte superior. Da grande sala de música com suas peças de coleção e home theater, ligadas ao estar como a esperar por grandes festas, ao recolhimento do apartamento do casal em outro extremo e nível, bem como o escritório/consultório na parte posterior, sugerindo estudo.

Nota-se, observando as plantas, que a todo momento se tem equipamentos que podem ser utilizados separados ou prontos para participarem de encontros mais numerosos. Que distintas atividades podem ser etariamente praticadas e sua mistura acontecendo apenas quando querida e necessária.
É definitivamente uma casa sujeita a prática da alegria, de festas, mas também para o uso naqueles feriadões nacionais, onde o corpus vai morosamente se espraiar pelo grande deck panorâmico, contemplar a montanha à frente, abrir a long neck geladíssima, ouvir o som distribuído pelos diversos ambientes e esperar a noite vir caindo bem devagar, as luzes do jardim surgirem e olhar para a casa e gostar de estar ali.
 
Aí, subitamente, um pergunta ao outro: como que vamos limpar aquele vidro lá em cima? Esquece, é por ali que entra o sol e a lua (olham eles novamente), um dia eles nos contam!

A este texto, inicialmente publicado no livro Sylvio E. de Podestá - CASAS, pags.192 a 199, AP Cultural, 2000, podemos acrescentar que sobre esta casa paira um eterno clima de bons momentos, memoráveis encontros, novas amizades e a generosidade de seus proprietários para com ela enquanto objeto e lugar e para com seus visitantes/amigos.

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